Ao ler Sobre a modernidade, um famoso ensaio que Charles Baudelaire escreveu a respeito do pintor Constantin Guys, conheci um conceito ao qual até então não havia prestado muita atenção: o dandismo.

O termo dândi costuma ser utilizado de maneira pejorativa, para referir-se a indivíduos que dedicam-se excessivamente à aparência. Por vezes, essa dedicação não se restringe ao físico e às roupas, mas também a um refinamento da linguagem e a um cultivo do ócio. Essa interpretação, na verdade, está ao mesmo tempo equivocada e incompleta.

Incompleta porque um motivo para tal comportamento não é citado. Assume-se naturalmente que origina-se de vaidade ou futilidade. Equivocada, portanto, porque enxerga-se exagero sem saber em relação a quê.

Disse Baudelaire: “o dandismo não é um deleite excessivo com roupas ou elegância material. Para o dândi perfeito, essas coisas nada mais são do que o símbolo da superioridade aristocrática de sua mente”. Em outras palavras, o dandismo pode ser interpretado como a ascensão de uma mente aristocrática contra princípios igualitários.

Minha interpretação particular define um dândi não como alguém que quer ser superior, mas como alguém que busca não esquecer que já é superior.

Um arrogante? Um esnobe? Muitos podem interpretar dessa forma. Mas, citando um exemplo bastante oportuno, pode-se dizer que a Distincards segue um pouco a filosofia dândi ao se propor o oferecimento de material distinto a seus usuários. E, sinceramente, não vejo nenhum motivo para não termos orgulho disso.

(interessados em dandismo podem consultar a lista de referências neste artigo da Wikipedia)