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Arquivos da Categoria 'Ciência'


Ah, as mágicas da computação…


Recentemente, fui informado sobre a existência deste artigo, que fala sobre um algoritmo de visão computacional capaz de reconhecer as obras de um artista específico. Tenho um certo conhecimento a respeito de visão computacional e reconhecimento de padrões, por isso sei que tal algoritmo é possível. Ao mesmo tempo, também tenho certa noção a respeito do quão difícil é esse problema, o que me obriga a ter uma dose saudável de ceticismo.

Meus sentimentos quanto a divulgar esse tipo de trabalho científico para o público leigo são complicados. O redator é obrigado a evitar quaisquer termos excessivamente técnicos e se limita a utilizar expressões genéricas como “programa matemático”. Além disso, nada é mencionado a respeito das limitações do algoritmo, que obviamente existem. Afirmações como “depois que o programa aprende sobre os relógios de Dali, ele consegue reconhecer outras pinturas dele mesmo que os relógios não estejam nelas” soam simplesmente… mágicas.

Me pergunto se esse tipo de divulgação não pode inflamar alguns especialistas em arte mais exaltados, que correrão para defender seus talentos e afirmar que eles não podem ser emulados por uma máquina…

Festival Internacional de Linguagem Eletrônica


Até o dia 12 de setembro, o Sesi Paulista estará sediando o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, uma grande mostra de arte digital que descaca-se principalmente pelos trabalhos com os quais os visitantes podem interagir.

Confesso que tenho um pouco de receio em relação ao uso da palavra arte para se referir a esses trabalhos, como muitos estão fazendo. Certamente são trabalhos interessantes e a estética não foi deixada de lado, mas fotos e relatos que chegam a mim causam-me uma inevitável sensação de frieza.

Estou certo em pensar que mensagens e sentimentos simplesmente não são a prioridade dessas obras? Ou será que estão lá mas expressas de maneira completamente diferente da arte tradicional? Ou talvez de fato isso não seja necessário?

Google Sky


Destaco aqui uma notícia que já deve ser conhecida de muitos: o Google Earth disponibilizou um serviço para visualização do céu, baseado em um acervo de imagens obtidas de observatórios que cobre cerca de 100 milhões de estrelas e 200 milhões de galáxias.

Na minha opinião, o Google Earth nasceu como uma curiosidade e aos poucos está agregando valor como utilidade. Por outro lado, acredito que o Google Sky já tenha nascido como uma ferramenta extremamente valiosa para os entusiastas da astronomia.

Implantes neurais retiram homem de estado vegetativo


Eis um magnífico exemplo dos avanços da neurociência que tornou-se notório alguns dias atrás. Um homem que havia sido espancado e, por isso, lançado num estado vegetativo, agora pode novamente falar. Isso graças a uma nova técnica de implantes neurais. Os cientistas avisam, porém, que a técnica ainda é experimental.

Trata-se de um exemplo sensacionalista, óbviamente. Por traz disso há uma infinidade de estudos que não chegam à imprensa comum. Contudo, creio que seja importante que esse tipo de coisa chegue ao público geral, visto que não há modo melhor de justificar socialmente os investimentos subjascentes em pesquisa.

Um robô da Grécia antiga


Que os gregos inventaram muito do que constitui nossa civilização todos sabem. Mas quem adivinharia que entre esses inventos estivesse um robô programável? Segundo a New Scientist, um certo Hero projetou uma máquina móvel capaz de ser programada com cordas, por volta do ano 60DC. O aparelho, na verdade, é bastante simples, o que - imagino - tornou sua reconstrução irresistível. No artigo há um vídeo de uma réplica em funcionamento, feita pela equipe da revista. Não é exatamente o que você esperaria de um robô moderno, mas suponho que tenha sido impressionante o suficiente para render alguma fama ao seu inventor.

Companhia afirma ter criado um moto perpetuo


Criar energia a partir do nada é uma dessas coisas que parecem boas demais para ser verdade. E, de fato, desde o advento da Termodinâmica crê-se que isso seja impossível. Mas uma companhia, chamada Steorn, anunciou ter criado uma tecnologia, batizada de Orbo, capaz de fazer exatamente isso. Certos de que ninguém acreditaria numa afirmação dessas, a empresa parece estar fazendo grandes esforços para provar o que afirma. Em particular, eles colocaram uma demonstração da tecnologia em um museu de Londres, com câmeras transmitindo ao vivo para a Internet. Trata-se, parece, de um moto perpetuo, uma máquina que se move eternamente sem auxílio externo.

Bem, a demonstração começou ontem, porém até agora eu não vi a coisa se mover. O site afirma que estão tendo dificuldades técnicas. Não acho correto julgá-los antecipadamente, já que ao menos parecem estar tentando provar que a tecnologia funciona, mas algo me diz que o Orbo tem algum outro objetivo, alguma outra meta mais factível. E, nesse caso, que objetivo seria esse? Se é uma mentira, qual o seu propósito? Não vejo nenhuma resposta óbvia para essa pergunta. Acho que é isso que está instigando a minha curiosidade…

“A liberdade, não o clima, está em risco”


Eis um recente artigo escrito pelo presidente da República Checa, Vaclav Klaus, no qual ele discorre sobre o que lhe parece o verdadeiro problema do chamado “aquecimento global”. Essencialmente, o presidente Klaus acredita que o uso do “consenso científico” enquanto determinador da “verdade” coloca em risco as liberdades democráticas atualmente vigentes no ocidente, e acusa os pessimistas climáticos de serem uma nova espécie de Maltusianos. Certo ou errado, o texto tem o mérito de levantar a dúvida de um modo que convida à reflexão. Vale ainda ressaltar que o sr. Klaus passou grande parte da sua vida sob um regime comunista e tem, portanto, uma perspectiva distinta sobre a democracia ocidental.

O Renascimento da Antiga Roma


A BBC relata que um projeto para reconstruir virtualmente a antiga Roma acaba de ser concluído. Ambiciosamente chamada de Rome Reborn 1.0, a simulação é essencialmente um modelo tri-dimensional da Roma de 320 AC, incluindo o exterior de milhares de prédios e o interior de cerca de 30, dentre os quais estão o Coliseu e o Senado. O projeto parece ser bem rigoroso, a julgar pelos 10 anos que levou e pelo fato de se tratar de uma pesquisa científica. Fotos, vídeos e artigos acadêmicos relacionados podem ser vistos em seu site oficial.

Resta saber o que eles prentedem fazer com essa nova Roma. Segundo o artigo da BBC, há rumores de que ela apareça no Second Life. Infelizmente, não acho provável que ela acabe em domínio público, dado seu potencial valor comercial. Espero, contudo, que alguém competente pague por ela e faça algo divertido.

Ilusões Ópticas


Acabo de encontrar este excelente conjunto de ilusões ópticas, criado pelo laboratório de um conhecido neurocientista, Dale Purves. São muito bem feitas e acompanhadas de explicações. Embora eu já tenha visto muitas ilusões dessa espécie, algumas me são novas, especialmente as que envolvem movimento.

Depois de esbarrar nesse site, óbviamente resolvi procurar algo mais e encontrei esta coleção, com 71 demonstrações. Experimente, por exemplo, esta aqui.

Notar a fragilidade da própria percepção é uma experiência perturbadora. Afinal, se coisas tão simples podem nos enganar tão facilmente, não é de se desconfiar que estejamos sendo enganados em outras coisas sem sequer nos darmos conta? Meu ceticismo acaba de se fortalecer.

The Science Creative Quaterly


Interessados no desenvolvimento da ciência não podem deixar de acompanhar os progressos relatados no The Science Creative Quaterly. A “revista” é um hilário exemplo de como se pode fazer pesquisa “socialmente relevante”. De que tipo? Sugiro a leitura do The Social Norm of Leaving the Toilet Seat Down: A Game Theoretic Analysis para se ter uma idéia.