Coleção

Mais do que a personificação da angústia pela perda de uma pessoa amada, o Corvo que tanto tortura o protagonista de The Raven é uma manifestação física da culpa e da perversidade que fazem parte daquilo que Edgar Allan Poe define como a "sede natural da humanidade por auto-tortura e auto-destruição".

Além de ser, possivelmente, o mais famoso poema de Poe, The Raven é um dos mais conhecidos e respeitados poemas americanos, destacando-se principalmente pela qualidade de sua construção e por sua interpretação angustiante e claustrofóbica do sentimento de perda: apenas repetindo incessantemente a simples expressão "Nunca mais!", um misterioso Corvo desperta em um homem todas as lembranças e pensamentos angustiantes que o consomem lentamente por dentro desde a morte de sua Lenore.

A coleçao O Corvo tem como objetivo disponibilizar cartões que transmitam esse impiedoso, mas muitas vezes inevitável, sentimento. Cada cartão é dedicado a uma estrofe da obra de Edgar Allan Poe e é ilustrado com uma gravura de Gustave Doré. Esse conjunto de gravuras feitas especialmente para o poema de Poe é também a última obra de Doré, que faleceu em 1883, aos 51 anos, enquanto a estava terminando.

Imagens:
Gustave Doré

Textos:
Edgar Allan Poe

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Apenas uma visita

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À meia-noite, ouvi subitamente alguém bater de leve em minha porta. "É só uma visita", pensei. "Apenas uma visita e nada mais".

Créditos:
Gustave Doré, Edgar Allan Poe

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Desolado Dezembro

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Foi naquele desolado Dezembro, no qual eu buscava, em vão, aliviar através dos livros minha tristeza pela perda de minha Lenore.

Créditos:
Gustave Doré, Edgar Allan Poe

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Terror jamais sentido

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O balanço incerto de cada cortina me enchia de um terror que eu jamais havia sentido antes. E eu repetia: "É apenas uma visita".

Créditos:
Gustave Doré, Edgar Allan Poe

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Apenas escuridão

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"Perdão," eu disse, "mas estava dormindo e mal ouvi as tuas tão leves batidas". Ao abrir a porta, apenas a escuridão e nada mais.

Créditos:
Gustave Doré, Edgar Allan Poe

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Palavra sussurrada

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Espiando a escuridão que lá havia, eu temia e duvidava. Mas o silêncio foi quebrado pelo sussurro de uma única palavra: "Lenore".

Créditos:
Gustave Doré, Edgar Allan Poe

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Explorar o mistério

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De volta ao quarto, ouvi batidas mais fortes do que antes em minha janela. "Deixe-me explorar o mistério. É o vento, nada mais."

Créditos:
Gustave Doré, Edgar Allan Poe

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