Coleção

"Há alguns grandes artistas cujas realizações admiramos, por assim dizer, de fora. Eles não provocam um sentimento de empatia: não, ao menos, de alguma maneira pessoal. (...) Mas há artistas cuja obra não é assim. São os que reconhecem a imperfeição e a mortalidade humanas. E não só as reconhecem, como as glorificam, tornando-as o tema principal de sua arte. Pois se os homens e mulheres fossem perfeitos, mentalmente, fisicamente, moralmente, espiritualmente, para que precisariam da arte? Rembrandt van Rijn, nascido em Julho de 1606, certamente não sentia a obrigação de tornar seus temas humanos nobres, quanto mais perfeitos." (texto original de Robert Hughes, tradução de Celso Mauro Paciornik)

Dentre tantos elementos que caracterizam tanto a vida como a obra do pintor holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn, certamente podemos destacar o contraste. Embora sua temática tivesse como foco a imperfeição, sua técnica o coloca dentre os maiores artistas barrocos da história. Dentre suas obras famosas estão releituras de cenas mitológicas clássicas, mas reinterpretadas de forma notorialmente anti-clássica, por vezes grotesca. Foi um prolífico auto-retratista, mas reconhecia as próprias falhas.

Tal contraste, constante inclusive nas cores de suas pinturas, não deve, porém, ser confundido com incoerência. Como o texto de Robert Hughes enfatiza, esse extravagante artista foi, acima de tudo, "um inspirado intéprete da angústia e imperfeição humanas". Os aspectos contrastantes de sua obra podem ser comparadas aos dois estados entre os quais, segundo o filósofo Arthur Schopenhauer, a vida oscila constantemente.

É justamente essa descrição de Schopenhauer que completa a capa da coleção Rembrandt, cujos cartões buscam expressar a beleza que este grande representante do período barroco conseguia extrair da imperfeição.

Imagens:
Rembrandt van Rijn

Textos:
Friedrich Wilhelm Nietzsche, Victor Hugo, Albert Camus, Platão

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O Rapto de Ganimedes

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Visão anti-clássica do momento em que Zeus, apaixonado pelo jovem Ganimedes, rapta-o e eleva-o aos céus.

Créditos:
Rembrandt van Rijn, Friedrich Wilhelm Nietzsche

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O Moinho

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Um moinho imponente no crepúsculo.

Créditos:
Rembrandt van Rijn

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Danae

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O amor é a vida. É tudo o que se lamenta e tudo o que se quer.

Créditos:
Rembrandt van Rijn, Victor Hugo

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O Banho de Betsabá

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Que carta é essa que ela traz consigo? Que lamentos nela estão encerrados?

Créditos:
Rembrandt van Rijn

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A Ponte Judaica

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Uma ponte sob uma manhã ensolarada. Para que lugares magníficos ela leva?

Créditos:
Rembrandt van Rijn

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A Lição de Anatomia

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O incansável estudo do ser humano. A interminável batalha contra um mundo hostil e repleto de deuses inúteis.

Créditos:
Rembrandt van Rijn, Albert Camus

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